NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS OS CÉUS E A TERRA E TUDO O QUE NELE HÁ.

Monday, December 08, 2014

O PREÇO DA GANÂNCIA -- CAPÍTULO -- 01



 Capítulo – 01

Tudo começa mais ou menos assim:
Era uma sala grande com uma mesa comprida, com bancos laterais, onde eram feitas as refeições.

 D. Gertrude - Rosinha vá chamar seu pai que o armoço ta pronto, eu nunca vi home tão temoso pra trabaiá, que nem ele.
Eu num conheço home ninhum cuma ele. Óia só!... O pessoá já tão todo mundo aqui pra cumê e só farta ele, sempre com esta mania de acabá primeiro o que tá fazendo pra adispois cumê.

Rosinha - Eu Já chamei mãe, ele disse que só vai vir depois que terminar todo serviço.
E mandou também que ninguém esperasse por ele, e disse também pra senhora, separar a comida dele, que a hora que chegar ele come.

D.Gertrude - Tá pra nacê um home pra trabaiá que nem ele, coitado do home, nesse sóor de mei dia e sem cumê nada, ele só bebeu uma xicra de café na hora que saiu de manhã cedinho;

Mariazinha - É sempre assim, o paizinho quando começa um trabalho, é difícil sair antes de terminar, e a mãezinha, fica nervosa porque atrasa o serviço das empregadas.

D.Gertrude - Já que o Zeca num vai vir mermo , nóis também num vamo fica aqui, cum fome pro mod dele, ocêis pode começá a cumê pra mode vortá logo pra lida.

Naqueles tempos, era de praxe os fazendeiros ricos contratar negrinhas para servir de companhia para suas filhas.

Rosinha - O paizinho me disse, que depois da safra da mandioca, ele vai contratar uma negrinha, só pra eu, pra me acompanhar quando eu precisar .

Mariazinha - Pra mim Também, agente não pode sair sozinha por aí, toda vez que agente precisa ir ao povoado, é um verdadeiro deus nos acuda.

Rosinha - Das graças!... Você pode recolher as vasilhas da mesa, enquanto vou levar a comida para papai, não é justo ele ficar trabalhando num sol quente deste de barriga vazia.

Das graças - A sinhá pode ir, que eu termino de arrumá tudo; há, lá no forno tem daquela brôa qui o seu pai gosta, leva pra ele.

*Dia seguinte, dia de Rosinha esperar o noivo, que não era mais caipira porque não tinha jeito, mas tinha porte físico atraente.
A ansiedade fazia Rosinha chegar à janela toda hora na esperança de vê-lo chegar.*

Zé Jacinto - Muito, boas tarde... (tirando o chapéu se curvando em reverência a sua amada).... já num tava mais me agüentano de ver as hora passá pra eu poder ver este teu rosto, mais buuniitto que o orvai de manhã cedo!...

Rosinha - O que você quer dizer com isto, você acha que eu estou com cara de defunto, frio?

Zé Jacinto - Não minha belezura, só to querendo agradá ocê.
Ocê sabe que venho de longe, rastando este sapato veio e apertado.
Tô cum pé todo em bôia, é calo que mais parece pisadura de animar.
Mais o pior disso tudo, é que eu chego aqui, e ocê só qué ficá longe de eu, fica que nem cabrita braba, eu chego perto de ocê e ocê sarta fora e vai pra longe, e sai de perto de eu.

Rosinha - Olha Zé Jacinto, você precisa saber que sou moça direita, e não gosto de muita aproximação, se tudo der certo entre nós, prometo que vou ser boazinha, mais por enquanto, é eu aqui e você aí.

*Nisto o Senhor Zeca acaba de entrar, e só dá aquela olhada de banda, como quem diz; estou de olho.*

Rosinha - (Toma frente da conversa) É!... Pai ele tá querendo!...

Zé Jacinto - Eu acho que ocê num gosta de eu, só aceitou namorar cum eu por mode que o meu pai era rico e deixou herança pra eu.
Sei que sou um grocerão e ocê ficou muito tempo na capitá, cidade grande e aprendeu muita coisa lá, sabe até falá dereitnho, e eu num passo de um bôbão, um jumento!...

Rosinha - Não fale tanta besteira assim, eu gosto de você assim do jeito que você é você é simples, mas é de bom coração.

ZÉ Jacinto - Se ocê deixá eu te abraçá e te dá uma bicota, nem que seja no seu rosto lindo, eu já tô sastisfeito, afinar das conta num vai te tirar pedaço ninhum, né mermo?.

Rosinha - Pode ficar quietinho, aí no seu canto, comigo, qualquer aproximação só depois de casada, (demonstrando que só estava com ele por interesse)... Deixe esta conversa pra lá Afinal de contas; conseguiu vender o tal safra de mandioca que seu pai lhe deixou?

Zé Jacinto - (em dúvida) É!... Vindi sim, e é puriço que eu vim aqui cunversá com seu pai, pra mode nóis adiantá a data do casório.


                                                        --------------- EJO ---------- Continua



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